A magnólia

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Publicado em

Prémio Literário António Cabral 2025

A magnólia regressou, ela irrompe
e fenece num intervalo de tempo
imperceptível. Em pleno Fevereiro
as estações aceleram,
ciclos de impermanência fazem
o lugar onde um enxame
de equações não-lineares
descreve os antigos mistérios
sem os resolver.

A magnólia é o meu artefacto favorito,
o meu estranho atractor.
Quem a plantou neste jardim
de esquina, rua abaixo?
Paro sob a desfeita sombra
das pétalas reunindo-se
no chão, beleza mortal
que se abate sobre a escura
meditação.

Existirá o mundo?
Sonho com a rósea sintética
árvore, metáfora
de unidade oscilando sem cessar,
embriagando sentidos, inteligência.

in QUINTAIS, Luís. Nocturama. Porto: Assírio & Alvim, 2024

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